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Autismo e Vícios: Explorando a Relação

O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades sociais e de comunicação, comportamentos repetitivos e interesses restritos. Embora seja mais comumente diagnosticado na infância, o transtorno acompanha o indivíduo ao longo de toda a vida, apresentando desafios específicos na vida adulta.

A falta de estudos e abordagens direcionadas às experiências de jovens e adultos autistas tem contribuído para um diagnóstico tardio, o que pode resultar em situações de risco durante o crescimento e a falta de compreensão e pertencimento social. Como forma de lidar com as dificuldades do transtorno, algumas pessoas autistas podem desenvolver dependência química, buscando aliviar sintomas, camuflar características ou pertencer a grupos sociais.

Um estudo recente publicado na revista científica The Lancet revelou que autistas têm quatro vezes mais chances de relatar vulnerabilidade associada ao uso de álcool, cigarro e drogas ilícitas. Além disso, adultos autistas são quase nove vezes mais propensos a relatar o uso de substâncias recreativas para lidar com sintomas relacionados ao transtorno, como sobrecarga sensorial, fobias, dores e dificuldades de concentração e sociabilidade. Essas substâncias também podem ser utilizadas como uma forma de lidar com sintomas de saúde mental, como ansiedade, depressão e pensamentos suicidas.

Além do abuso de substâncias, outro vício observado entre autistas é o uso excessivo de telas. Para indivíduos no espectro, que frequentemente têm interesses restritos e dificuldades na interação social, as telas podem oferecer uma forma de escape e conforto, mas o uso descontrolado pode levar ao isolamento e afetar o bem-estar emocional e físico.

Diante desses desafios, é fundamental aumentar o conhecimento científico sobre a relação entre autismo e vícios e desenvolver abordagens e intervenções adequadas. A psicoterapia, aliada a tratamentos medicamentosos controlados, é uma das abordagens indicadas. Além disso, é essencial trabalhar na disseminação do conhecimento sobre o autismo e promover o diagnóstico precoce. O suporte adequado ao longo da vida é crucial para garantir uma vivência mais saudável para os autistas.

Por fim, é importante estabelecer estratégias de inclusão na sociedade para que todas as pessoas, incluindo aquelas que fazem parte da neurodiversidade, se sintam aceitas e pertencentes, evitando a busca por estratégias prejudiciais à saúde mental e física.

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