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CONHEÇA A HISTÓRIA DE GABRIEL

Para muitos pais de crianças com autismo, o diagnóstico pode ser uma surpresa e um grande desafio. É o caso de Luís Carlos Pessoa Mota (analista judiciário da Comarca de Pinheiro), pai do Gabriel de seis anos, diagnosticado com TEA. 

1) Como foi a chegada de Gabriel e as suas expectativas com o nascimento dele, que era o primeiro filho?

Para nós, a chegada do primeiro filho, o Gabriel, foi um momento de muita alegria, já que eu e minha esposa estávamos há três anos casados e aguardávamos ansiosos por essa nova etapa de nossas vidas.

Pois como diz o ditado, “filhos são sempre uma benção, um presente de Deus”. E assim, nos sentíamos abençoados por tamanha dádiva e responsabilidade.

2) Ao descobrir o diagnóstico do TEA, como você se sentiu? 

O descobrimento do diagnóstico é sempre um processo gradual. Primeiro você identifica alguns sinais de alerta, depois você começa a investigar e a procurar ajuda, vem à mente várias preocupações e angústias, bem como situações diversas que fogem totalmente ao seu controle. De fato não é algo fácil!

Contudo, durante esse processo, é preciso buscar muito conhecimento e ajuda de profissionais, mas, sobretudo, alimentar e fortalecer sua fé em Deus. Pois é Nele que encontraremos a força e o suporte para administrar e superar as adversidades gigantescas que encontraremos pela frente. Sobre isso, gosto de enfatizar que não convém romantizar muito a situação, pois, pelo menos pra mim, tive que passar por verdadeiro processo de aceitação.

No início, tinha bastante dificuldade em me abrir sobre o tema, ou falar abertamente sobre o diagnóstico do meu filho. Isso porque tinha muito medo de ele ser estigmatizado ou mesmo sofrer com olhares “maldosos” da sociedade.

Porém, com o tempo, entendi que a melhor forma de ele ser acolhido e aceito era exatamente o contrário. Ou seja, falar sobre o diagnóstico, trazer para família e amigos a realidade do nosso dia a dia com uma criança TEA e também, fazer algo parecido com que estamos fazendo hoje, que é debater sobre o tema, trazer para sociedade a importância de conhecer mais sobre a vida e as dificuldades dos neuroatípicos, falar sobre as terapias que existem, ou mesmo as medicações que podem ajudá-los.

Isso porque, a porcentagem/proporção de nascimentos de indivíduos que possuem algum tipo de neurodiversidade vem crescendo muito com o tempo, fazendo com que mais famílias vivenciem esse universo e seja algo cada vez mais visível no nosso dia a dia.

Fazendo também, o que é mais importante, com que mais pessoas tenham acesso mais cedo ao diagnóstico, que a intervenção terapêutica aconteça o mais rápido possível e mais ações inclusivas, ou mesmo ações de conscientização, como essa, possam acontecer.

3) Como é trabalhar e acompanhar o filho nas atividades dele?

Talvez muitos não saibam, a rotina de uma criança autista (falo das que estão em algum tipo de intervenção terapêutica, fato que, infelizmente ainda não é realidade para muitas famílias) é bem intensa. Muitas passam por acompanhamento terapêutico diário e em dois turnos, o que demanda uma necessidade muito grande de participação da família.

Afinal, são diversas terapias, diversos profissionais, relatórios, devolutivas que precisam ser acompanhadas no dia a dia, até para que a família possa melhor conduzir e administrar as adversidades. Mas, sobretudo, para que possam entender melhor o universo do filho e entrar o máximo possível no mundo da neurodiversidade.

Terapias e profissionais importantíssimos que faço questão de agradecer e destacar nesse momento, tais como: psicólogos (terapia ABA), terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, terapia de psicomotricidade, musicoterapia, educadores físicos e educadores que realizam planos pedagógicos específicos para os que sofrem algum tipo de transtorno no funcionamento psíquico. Sem falar, claro, das diversas terapias integrativas realizadas por profissionais da medicina integrativa. Portanto, é uma rotina de bastante doação, mas de muito amor e aprendizado.

4) Qual mensagem você deixa para todos(as) sobre o autismo?

Minha mensagem final vai principalmente para os pais de crianças autistas. Queria dizer para eles, que sintam-se privilegiados e especiais por tamanha dádiva de serem escolhidos para guiarem e serem responsáveis por seres humanos dotados de tamanha pureza e luz.

Hoje, meu maior propósito de vida são meus filhos, sobretudo, meu filho Gabriel com quem mais aprendo, do que ensino. Queria dizer também, que ele me fez ser um ser humano muito melhor e sinto muito orgulho e uma felicidade extrema por cada conquista dele, por cada vitória, é algo difícil de mensurar em palavras.

Nós, pais de autistas, temos uma grande responsabilidade com nossos filhos e precisamos cada vez mais assumir esse papel de debater o tema e conscientizar cada vez mais a sociedade.

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